GRUPOS, FAMÍLIAS, CASAIS E INSTITUIÇÕES HOJE: O QUE PRECISAMOS FAZER?
Data: 20 a 22 de maio de 2027
Local: Casarão Candido, Sousas – Campinas/SP.
Comissão Organizadora:
Carla Lam (Presidente)
Osvaldo Cardoso de Santana Filho (Vice-Presidente)
Fernanda Maria Donato Gomes (secretária)
Thatiane dos Santos Souza (Tesoureira)
André Bizzi Junqueira
Andreza V. Buzaid
Rachel Cristina Ribeiro Giacoia Leal
Rodrigo Mostaço Andrade
Comissão Cientifíca:
Ana Vitória Salimon-Santos (Presidente)
Matheus Colombari Caldeira (Vice-Presidente)
Fabiana Villas Boas
Lazslo Antônio Avila
Leila Regina da Silva Teixeira
Margareth Simas Ramos Marques
Osvaldo Cardoso de Santana Filho
Pedro Roberto de Paula
Sônia Yacosa Bruno
Tânia Aldrighi Flake
Thatiane dos Santos Souza
Público alvo: psicólogos, médicos, assistentes sociais, profissionais da saúde e educação, e estudantes dessas áreas.
Há encontros que acontecem em um lugar.
Há encontros que acontecem com o lugar.
E há lugares que nos convocam a
gestos de memória e de criação.
CARTA-CONVITE
Escolher o Casarão Cândido para nosso próximo congresso não é apenas escolher um espaço para reunir profissionais. É reconhecer que determinados lugares guardam histórias que continuam a nos interrogar.
Suas paredes guardam marcas de tempos em que o sofrimento psíquico foi tantas vezes segregado e silenciado. Mas guardam também a memória das lutas que abriram caminhos para outras formas de cuidado: mais humanas, coletivas e comprometidas com a liberdade e a dignidade das pessoas — práticas que se fizeram parte da luta antimanicomial.
Queremos participar da ressignificação dessa história, fazendo com que as marcas do passado encontrem as perguntas do presente e os desafios do futuro. E, sobretudo, que possamos acompanhar e vivenciar a transformação do Casarão para também nos transformarmos como pessoas, profissionais e instituição.
Desde sua fundação, em 1986, o NESME vem construindo uma trajetória marcada pelo interesse nos grupos e nos fenômenos vinculares — pactos, conflitos, alianças, heranças e transformações que se produzem entre sujeitos, famílias, grupos e instituições. Ao longo desse percurso, constituiu-se como espaço de estudo, formação, transmissão e encontro.
Vivemos um tempo em que os modos de viver e de se relacionar estão em acelerada transformação. Ao mesmo tempo, estamos diante de um mundo em intensas crises nas quais, cada vez mais, vínculos e grupalidades se constituem no amalgama sustentador da vida comunitária e no qual, teorias e técnicas desconectadas de ações e transformações sociais quedam inócuas.
Violação de Direitos Humanos, guerras, aceleração tecnológica, desigualdades sociais, emergências e catástrofes ambientais, crises política, sanitária e econômica desafiam os saberes na atualidade a construir novas respostas.
Diante disso, perguntamos: O que precisamos fazer?
Queremos que o congresso seja um espaço para pensar essas questões coletivamente. Não apenas para falar sobre os grupos, mas para experimentar a potência do encontro; não apenas para revisitar a história, mas para perguntar o que essa história nos convoca a fazer hoje.
Por isso, estar no Casarão Cândido terá para nós um significado especial.
Queremos que sua história de luta antimanicomial possa também inspirar outras formas de enfrentamento à segregação, ao racismo, aos desastres ambientais e à solidão. Que possamos olhar para o que foi construído, reconhecer o que permanece atual e imaginar outros caminhos para o cuidado em saúde mental.
Fundamentação metodológica do congresso
Com uma proposta inovadora, partimos da ideia de que o Congresso seja um congresso para ser vivido, e não apenas assistido.
Mais do que buscar respostas prontas, o Congresso propõe um espaço para pensar juntos, experimentar diferentes formas de encontro e deixar-se afetar pelo que se produz entre nós. Por isso, sua programação foi pensada como um percurso, articulando diferentes modalidades de participação, escuta, reflexão e produção coletiva.
Desde a chegada, o participante será convidado a percorrer diferentes espaços, conhecer o território e a história da instituição que nos recebe, aproximar-se da história e do percurso do NESME e de suas produções e, ao mesmo tempo, reconhecer aquilo que o traz para este encontro. Teremos também momentos de diálogos entre pessoas convidadas, e manteremos nossos tradicionais Grupos com proposta de horizontalidades entre os participantes.
O congresso se constitui, assim, como um percurso de inserção, encontro, experiência, aprendizagens e tentativas de elaboração.
A cada etapa, o participante não será apenas convidado a receber conteúdos, mas também a deixar uma marca: registrar uma pergunta, compartilhar uma experiência, produzir uma reflexão, expressar uma impressão ou reconhecer algo que tenha sido mobilizado pelo encontro.
As atividades científicas, as oficinas, os pôsteres, os intervalos e os encontros informais passam a fazer parte de um mesmo processo. As conversas com autores podem acontecer também nos espaços de convivência; os intervalos podem se transformar em espaços de encontro; e os registros produzidos ao longo dos dias podem compor uma memória coletiva do percurso.
Dessa forma, o próprio congresso torna-se um dispositivo grupal.
Um grupo que chega trazendo histórias, experiências e saberes diferentes; que se encontra em um território específico; que experimenta, confronta, cria e elabora; e que, ao final, pode reconhecer aquilo que produziu junto e levar suas ressonâncias pessoais e coletivas.
A proposta, portanto, é que o Congresso não seja apenas um conjunto de atividades organizadas em torno de um tema. Pretendemos construir um dispositivo grupal em movimento, no qual cada participante chega com sua história e seus saberes, encontra outros sujeitos, entra em contato com diferentes experiências, confronta diferenças, produz perguntas e participa de construções.
O Congresso seria, assim, simultaneamente um lugar de transmissão, um espaço de experiência, um território de encontro e um processo de produção coletiva.
É a partir dessa concepção, contextualizada pelo contemporâneo que foram construídos os eixos temáticos, a estrutura, o formato das atividades e a escolha dos palestrantes.
É com esse espírito que o NESME – Núcleo de Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares convida psicólogas, psicólogos, profissionais da saúde, da educação e da assistência, pesquisadores, estudantes e todos aqueles que trabalham com os vínculos humanos a participarem do XVI Congresso Brasileiro de Psicanálise das Configurações Vinculares, de 20 à 22 de maio de 2027, no Casarão Cândido, em Campinas.
“Grupos, Famílias, Casais e Instituições Hoje — O que precisamos fazer?”
Programação Geral

Sujeito a ajustes para compor melhor com os trabalhos.
Quinta – 20/05/2027
Sexta – 21/05/2027
Sábado – 22/05/2027
Fundamentos teóricos da grupalidade; novas práticas metodológicas; grupos de formação e processos de supervisão; dispositivos grupais presenciais e on-line; a arte, as mediações e modalidades de cuidado.
Práticas na Saúde, na Educação, na Assistência Social, nos Direitos Humanos, transversalidade e intersetorialidade no cuidado coletivo, dispositivos em rede (CAPS, CECCOs, hospitais-dia, enfermaria em hospital geral, CRAS, CREAS, entre outros)
Corporalidade, interseccionalidade, pertencimento, exclusão, identidade e identificação, espaços de escuta, reconhecimento e reparação.
Corporalidades, identidades e expressões de gênero, pertencimento, exclusão, produção, transmissão e transformação de normas de gênero, perspectivas interseccionais, dispositivos clínicos grupais, comunitários e institucionais.
Transformações dos vínculos e processos de transmissão; novas configurações familiares; conjugalidades e intimidades; adoções; parentalidades; ciclo vital familiar; transmissão psíquica e intergeracionalidade; migrações e famílias transnacionais; diversidade e gênero.
Acolhimento e criação de dispositivos institucionais de cuidado; análise das dinâmicas institucionais; saúde mental e subjetividade no campo do trabalho
Espaço dedicado à reflexão sobre o cuidado diante da solidão, do desamparo, das rupturas dos laços sociais e dos traumas individuais e coletivos. Aborda as diferentes formas de discriminação, intolerância e exclusão (sexismo, etarismo, capacitismo, LGBTIfobia, xenofobia) e os efeitos da necropolítica e da hipermodernidade sobre os sujeitos. Foca em dispositivos clínicos, grupais, institucionais e comunitários voltados à promoção da equidade e da justiça social.
Imigrações, migrações, reconstrução das identidades, de comunidades e de produção de novas formas de enraizamento e hospitalidade; experiências coletivas de solidariedade, pertencimento, movimentos sociais e fortalecimento comunitário de povos originários, afrodescendentes, comunidade surda, entre outras.
Transformações da subjetividade, vínculos homem-máquina, impactos nos grupos, famílias, casais e instituições, uso criativo das tecnologias e da IA na formação, na clínica e nos grupos
Criação de redes de solidariedade, intervenções comunitárias, dispositivos de elaboração do trauma e reconstrução do pertencimento
O NESME é uma instituição que estuda e pratica grupos e não poderia ser diferente durante o Congresso. Assim, temos tradicionalmente realizado vários momentos de grupos durante o evento.
Tudo começa nas Estações de Encontro, espaços de chegada e circulação, para conhecer pessoas, ideias, experiências e as propostas do Congresso – o primeiro contato entre trajetória e perspectivas diversas.
Desse primeiro movimento, nascem as Oficinas de Chegadas, um tempo de acolhimento e de inserção no coletivo. São momentos mais próximos e experienciais, pensados para aproximar a pessoas, dar espaço ao que cada uma traz consigo e ir construindo, aos poucos, uma disponibilidade para tudo o que será vivido ao longo do Congresso.
Já os Colóquios: perspectivas em diálogo rompem com a lógica da conferência unilateral: em vez de um apresentador falando para uma plateia, uma conversa entre dois. A ideia é colocar perspectivas diferentes em relação e deixar que o pensamento se construa ali mesmo, no encontro – nas aproximações, nas diferenças, nas tensões e nas perguntas que vão surgindo entre quem conversa.
Todas as manhãs abrem com oficinas de Ecos e Ressonâncias – Médios Grupos, que retomam o que foi vivido no dia anterior e o colocam em diálogo o hoje com o que ainda está por vir. É o espaço para escutar o que ficou reverberando, tentar elaborar as experiências, trocar impressões e, a partir do que foi vivido, produzir novas perguntas.
As Mesas Redondas seguem preservando um lugar de aprofundamento – a interlocução entre diferentes participantes em torno das questões centrais do Congresso. As mesas são seguidas dos Grupos Psicanalíticos de Discussão.
Já as Mesas de Comunicação Temática reúnem trabalhos e contribuições ao redor de temas específicos, aproximando pesquisadores, profissionais e participantes interessados numa mesma questão. As mesas são seguidas dos Grupos Psicanalíticos de Discussão.
Os Pôsteres Dialogados propõem outro jeito de apresentar e fazer circular conhecimento: os trabalhos estarão expostos para serem visitados, valorizando a pergunta e a conversa direta. Em seguida, terá o sintetizador que proporcionará o início da conversa em torno do tema – Grupo Psicanalítico de Discussão, valorizando a troca e o diálogo como formas de produzir saber.
Grupos Psicanalíticos de Discussão (GD) – são realizados após as apresentações em Mesas Redondas, Mesas de Comunicação Temática e Sessão de Pôsteres Dialogados. Sempre coordenados por especialistas em grupos. Com isso, procuramos quebrar, pelo menos parcialmente, o nível de funcionamento grupal de dependência, tradicional nos congressos, partindo para uma discussão horizontal e criativa, pois, de maneira democrática, estimulam a circulação do saber de cada participante; despertam associações e constroem novo conhecimento a partir do material exposto pelos participantes/autores de trabalhos
O Sarau é um momento descontraído para estarmos juntos com muita música e poesia, para o qual todos estão convidados.
E, ao final desse percurso, o Fórum Final convida o coletivo a olhar para tudo o que foi vivido e produzido ao longo do Congresso. Mais do que uma síntese ou um encerramento, é um convite a perguntar: o que ficou entre nós? O que levamos daqui? O que se transformou? E, diante de tudo isso, o que precisamos – ou podemos – fazer?
Assim, o Congresso se constrói no movimento entre encontro, acolhimento, diálogo, aprendizagens, reflexões, elaboração, ressonância e participação: uma experiência em que o conhecimento não é apenas transmitido, mas colocado em circulação e transformado no contato com o outro.
Atenção: sujeito a lotação antes da data final de inscrição.
| Categoria | Valor até 20/12/2026 | Valor de 21/12/2026 a 31/03/2027 |
No evento |
| Profissionais em geral | R$ 880,00 | R$ 950,00 | R$ 1.200,00 |
| Profissionais da rede pública e estudantes de pós graduação (comprovante de vínculo) |
R$ 720,00 | ||
| Associados do NESME e instituições parceiras (ativos) |
R$ 650,00 | ||
| Grupos de 5 ou mais pessoas * | R$ 720,00 | ||
| Estudantes de Curso de Graduação | R$ 650,00 | ||
Será divulgada no início de fevereiro após as confirmações dos trabalhos enviados.
Em breve
Em breve
O NESME convida os congressistas a compartilharem suas pesquisas, experiências e reflexões nas modalidades de Comunicação Oral — Mesa Redonda e Mesa de Comunicação Temática — e de Pôsteres Dialogados.
Veja o que são as atividades em “Sobre as diferentes atividades“.
As propostas deverão estar articuladas a um dos eixos temáticos do Congresso, e ser enviadas até 15 de novembro.
Para enviar a proposta, o autor precisa estar inscrito no congresso.
O proponente pode ser autor principal (apresentar) somente em um trabalho, porém pode ser co-autor em outros.
O envio é feito através do formulário presente nesse site e o proponente deve colocar os nomes de coautores (se houver), título, modalidade que gostaria de apresentar (oral ou pôster), Eixo temático, palavras-chave, e um resumo com no máximo 2000 caracteres.
No início de dezembro, os autores receberão o parecer da Comissão Científica. Caso sejam necessárias reformulações, o trabalho poderá ser reenviado até 20 de dezembro.
Os trabalhos selecionados integrarão a programação do Congresso, e o texto submetido será utilizado para a composição dos Anais do Congresso.
Serão oferecidas bolsas integrais para pessoas pretas, pardas, indígenas e trans, mediante solicitação e análise até o dia 15/11/2026. Para concorrer a bolsa, é necessário preencher o formulário que será enviado ao e-mail cadastrado na inscrição.
Política de Devolução:
O Art. 49 da Lei 8.078/09 do Código de Defesa do Consumidor garante um prazo legal de 7 dias após a compra para devolução de 100% do valor pago.
Formalizada a desistência após 8 dias da inscrição e até 30 dias antes do início do evento, haverá devolução de 50% do valor pago.
Caso a formalização da desistência ocorra em prazo inferior a 30 dias do início do evento, não haverá restituição do valor.
A solicitação de restituição deve ser realizada pelo titular da inscrição no e-mail tesouraria@nesme.org.br, mediante informação dos seguintes dados: nome completo, CPF, banco, conta corrente e agência bancária.
Serão oferecidas bolsas integrais para pessoas pretas, pardas, indígenas e trans, mediante solicitação e análise até o dia 15/11/2026. Para concorrer a bolsa, é necessário preencher o formulário que será enviado ao e-mail cadastrado na inscrição.
Política de Devolução:
O Art. 49 da Lei 8.078/09 do Código de Defesa do Consumidor garante um prazo legal de 7 dias após a compra para devolução de 100% do valor pago.
Formalizada a desistência após 8 dias da inscrição e até 30 dias antes do início do evento, haverá devolução de 50% do valor pago.
Caso a formalização da desistência ocorra em prazo inferior a 30 dias do início do evento, não haverá restituição do valor.
A solicitação de restituição deve ser realizada pelo titular da inscrição no e-mail tesouraria@nesme.org.br, mediante informação dos seguintes dados: nome completo, CPF, banco, conta corrente e agência bancária.